quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Homilia na Missa do dia 11 de fevereiro 2026

 


Mc 7,14-23 à luz da vida da Venerável Ir. Tecla Merlo

No Evangelho de hoje, Jesus faz um deslocamento profundo: Ele nos tira da obsessão com o “fora” e nos conduz ao coração: “Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai do seu interior.”

Com essas palavras, Jesus desmonta uma religião feita apenas de normas externas, de aparências corretas e gestos visíveis, e nos convida a um exame muito mais exigente: como está o nosso coração? Porque é do coração que brotam as palavras, as atitudes, as escolhas e, em última instância, o bem ou o mal que espalhamos pelo mundo.

Jesus não minimiza o pecado, pelo contrário: Ele vai à raiz. O problema não é o alimento, a regra ou a tradição em si, mas um coração fechado, endurecido, autocentrado, incapaz de amar.

É aqui que a vida da Venerável Irmã Tecla Merlo ilumina o Evangelho de forma belíssima. Ir. Tecla viveu num tempo de grandes transformações sociais e culturais. Poderia ter se fechado no medo do novo, na crítica ou na desconfiança. Mas seu coração, profundamente unido a Cristo, era livre, dócil e ousado. Ela compreendeu que, se o coração está cheio de Deus, tudo o que sai dele se torna anúncio, serviço e vida.

Enquanto o Evangelho nos alerta para palavras que ferem, atitudes que dividem e pensamentos que contaminam, Ir. Tecla nos mostra o caminho oposto: um coração purificado pela oração, alimentado pela Eucaristia e apaixonado pela missão paulina.

Ela acreditava que os meios de comunicação — palavra escrita, imagem, tecnologia — não são impuros em si. O que faz a diferença é o coração de quem os utiliza. Se o coração é cheio de vaidade, orgulho ou poder, os meios espalham confusão. Mas se o coração é humilde e evangelizador, eles se tornam instrumentos de luz.

Assim, o Evangelho de hoje nos provoca com uma pergunta simples e decisiva: o que tem saído do nosso coração? Nossas palavras constroem ou destroem? Nossas atitudes geram comunhão ou exclusão? O que comunicamos — nas conversas, nas redes, na vida cotidiana — nasce do amor ou do egoísmo?

A Venerável Ir. Tecla Merlo nos ensina que a verdadeira pureza não está em evitar o mundo, mas em habitar o mundo com um coração convertido. Um coração que, tocado por Cristo, transforma tudo o que toca.

Que o Senhor, pela intercessão da Venerável Ir. Tecla, nos conceda a graça de um coração novo: livre de hipocrisia, purificado do egoísmo e transbordante de amor, para que tudo o que sair de nós seja sinal do Reino de Deus. Amém.


Pe. Antônio Lúcio, ssp

Capela da Central Paulinas

São Paulo, 11 de fevereiro de 2026

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